Vamos analisar o diálogo de Jesus com os discípulos dos fariseus e os herodianos em Mt 22, 15-22.
Reuniram-se então os fariseus para deliberar entre si sobre a maneira de surpreender Jesus nas suas próprias palavras.
Enviaram seus discípulos com os herodianos, que lhe disseram: “Mestre, sabemos que és verdadeiro e ensinas o caminho de Deus em toda a verdade, sem te preocupares com ninguém, porque não olhas para a aparência dos homens.
Dize-nos, pois, o que te parece: É permitido ou não pagar o imposto a César?”.
Jesus, percebendo a sua malícia, respondeu: “Por que me tentais, hipócritas?
Mostrai-me a moeda com que se paga o imposto!”. Apresentaram-lhe um denário.
Perguntou Jesus: “De quem é esta imagem e esta inscrição?”.
“De César” – responderam-lhe. Disse-lhes então Jesus: “Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”.
Esta resposta encheu-os de admiração e, deixando-o, retiraram-se.
Falsos elogios
Uma das características do mal, se não a sua maior característica, é o fato de ele ocultar a sua real intenção. O mal se disfarça de bom para poder fazer as pessoas caírem, pois sabe que não seria aceito se mostrasse quem realmente é. Foi seguindo essa linha que a serpente mentiu para Eva no paraíso:
“Oh, não! – tornou a serpente – vós não morrereis!
Mas Deus bem sabe que, no dia em que dele comerdes, vossos olhos se abrirão, e sereis como deuses, conhecedores do bem e do mal.”
A mulher, vendo que o fruto da árvore era bom para comer, de agradável aspecto e mui apropriado para abrir a inteligência, tomou dele, comeu, …
(Gn, 3, 4-6)
Os fariseus tinham inveja e ódio de Jesus porque ele era popular, fazia o bem e denunciava os pecados deles. Então, para armarem uma armadilha para Jesus, os discípulos dos fariseus e os herodianos se aproximaram de Jesus com falsos elogios, numa tentativa de ocultar a sua finalidade.
A pergunta
A pergunta feita para Jesus, se era permitido ou não pagar o imposto a César, era maliciosa sob todos os sentidos. Se Jesus dissesse que não era permitido, eles poderiam acusar Jesus perante as autoridades romanas. Por outro lado, se Jesus dissesse que era permitido, isso poderia desagradar aqueles que eram contrários à dominação de Roma, em especial o povo. Então, era uma pergunta para deixar Jesus sem saída.
Os fariseus não gostavam do domínio romano, mas sabiam tirar proveito disso se lhes conviesse.
A resposta
Antes de responder aos seus interlocutores, Jesus os chama de hipócritas, porque ele não gosta de falsidade e conhece os corações das pessoas. Ele sabe que a intenção deles é fazê-lo cair em uma armadilha. Jesus não se deixa influenciar por nada.
O Senhor pede para lhe mostrarem a moeda do imposto, pergunta de quem é a imagem e a inscrição na moeda e, após eles responderem que é de César, diz a eles, sabiamente: “Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”.
Ao responder dessa forma, Jesus não exime o homem de sua obrigação, seja com o Estado ou seja com Deus. Santo Hilário de Poitiers ensinava que a moeda de César traz a efígie do imperador, mas a moeda de Deus é o próprio homem, em quem está figurada a imagem e semelhança do Criador. As riquezas são entregues a César, mas a consciência e a inocência são guardadas para Deus. Devemos colocar Deus em primeiro lugar.
A divindade de Jesus pode ser constatada não só nos seus milagres, mas também nos seus ensinamentos e respostas. Essa resposta dada por Jesus é de uma sabedoria, simplicidade, elegância e profundidade que só Deus poderia dar. Numa frase simples, Jesus frustra a intenção daqueles que o interrogavam, lembrando ao homem de amar a Deus, e ao mesmo tempo cumprir com suas obrigações deste mundo.
Fontes consultadas
TEMPESTA, Cardeal Orani João. Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus. CNBB, 22 out. 2023. Acesso em: 1 nov. 2026. CNBB
FALCÃO, Dom José. Dar a Deus o que é de Deus. Canção Nova, [s.d.]. Transcrição e adaptação: Jaqueline Scarpin. Acesso em: 1 nov. 2026.
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